Somos o espaço entre as pernas de Garrincha

Friday, October 13, 2006

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro,
uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.

Adélia Prado

Monday, October 09, 2006

Sociedade dos Poetas Adormecidos I

Aqui inauguro a Coluna da Sociedade dos Poetas Adormecidos,

pois vocês 'podem acabar me matando, mas jamais me machucarão!'

Essa eu dedico aos imaturos adultos funcionários públicos e semelhantes que procuram ilusões e não percebem a poesia da vida.

Peço desculpas por ser em inglês, mas essa continua sendo a lingua que falo melhor, apesar de minhas recentes tentativas de botar pra quebrar com o português. Me digam se querem traduzida... e prometo que procurarei mais obras em uma língua facilmente legível.

Achei melhor começar com uma apologia à poesia. Como alguém que segue piamente a virtude, não queria parecer contraditório quando prezo Platão e Shakespeare ao mesmo tempo. Já citei Socrates acima, agora cito Shakespeare:

"Dost thou think, because thou art virtuous, there shall be no more Cakes and Ale?"

– Shakespeare, Twefth Night, or What You Will

Eu vos digo, se temos entretenimento, melhor que seja profundo e belo, e agora, meu poema do dia:

I Would not imitate a petty thought,
Nor coin my self-love to so base a vice,
For all the glory your conversion brought,
Since gold alone should not have its price.
You have your salary; wasn't for that you wrought?
And Wordsworth has his place in the Excise.
You're shabby fellows – true – but poets still,
And duly seated on the Immortal Hill

– Lord Byron, Don Juan

E, como um poeta sensível a ouvidos clássicos, dedico minha participação nesta revista a Homero, o profeta cego, e todos os filhos que sua palavra gerou.

uuuuuhhhbrigado...

Dinamismo de Conjunto

Nem todas as vitórias do mundo encontram abrigo do esquecimento nos intervalos de luz e sombra a quem acompanho.

São pontos de convergência de muito do que sou e não me permito saber. Captam a todo instante e daí vem minha casa, onde estou mergulhada: estática. Deles, sou zona de ressonância, estou entre os trilhos, a respirar.

Sou a pregnância, eles o filho sentado à direita.

Minha paixão em quantas instâncias acontecerá? Já se iniciou? Carrego os estigmas, quando quase cicatrizes, deponho.
Abrem-se novamente quando a sombra aparece, minha e deles, e a luz vai direcionada a outrem. A estiagem vem em seguida quando da memória ilumino a mim mesma, a saber que um segundo é expressão menor do infinito.

Eles, a quem golpeio amorosamente, participam da desfragmentação que trabalha em múltiplos pólos. Magnética: une, organiza, produz eternidade.

Sunday, October 08, 2006

Um Poema Beat dos Anos 40 para a Única Cantora de Jazz Viva Que Eu Conheço

Que testes mais óbvios que os Deuses me mandam.
Parece que estão orgulhosos de meu avanço,
E por isso, me mandam a confirmação de mim para mim.
Mas talvez isso sirva como treinamento para um futuro além de mim,
Para que eu possa enxergar não uma, mas todas.
Para que, finalmente, seja o monge que vejo em meus sonhos azuis-claros.
Mesmo assim é uma pena, e só uma pena,
E uma pena que flutuará pela noite,
Me dando frio em momentos e amor em outros.
Até que no julgamento final, pelo menos o primeiro desta etapa,
Ela caia do céu com a coroa que já me foi reservada.
Até lá eu confio na eternidade de todas as opções,
E serei paciente, pois ninguém deliberadamente se faz mal.
... Um dia ela me fará um bem, como faz agora ao ser honesta.

Uma Amostra Clássica

Nós somos os perdidos nesse mundo de caos pós moderno, pois somos os únicos que tocam o eixo da suprema eternidade do progresso, enquanto as ovelhas de Israel choram pela falta de sabedoria de pastores ecléticos e gritam os nomes de nossos irmãos como se soubessem pronunciá-los.

Nós somos João Batista. Não somos classicistas, pois somos clássicos. Ser clássico não é viver no passado, nem amá-lo; ser clássico é saber da existência do passado e por isso entender o presente e ser deveras profeta.

Nossa missão é educar nossos filhos com a piedade de Abraão, a infalibilidade de Platão e a determinação de Ernesto Guevara.

Nós somos os óculos de João Lennon, a careca de Mussolini, o bigode de Hitler, a barba de Fidel, as botas de Stalin, o chapéu de Napoleão, o espaço entre as pernas de Garrincha e o grito de Ray Charles.

Nós somos o eco de familiaridade que se ouve no vale do avanço: o elo entre Epíteto e Bob Dylan.

Por fim, somos Noé, a escrita é nossa arca e as grandes conquistas de nossos antepassados são nossos animaizinhos acasalados.